À conversa com Júlio Magalhães

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No passado dia 18 de Novembro Júlio Magalhães esteve à conversa na Biblioteca Municipal de Caminha, iniciativa promovida no âmbito de ‘‘Caminho da Leitura: Ciclo de Conversas’, que contou com a presença do Presidente da Câmara Dr. Miguel Alves e foi moderada pelo Dr. Nuno Vidal.

Discorrendo pela seu percurso pessoal, como jornalista de televisão, rádio e imprensa, e autor de livros, Júlio Magalhães revelou-nos que nasceu no Porto, tendo ido para Angola com 7 meses, onde viveu até 1975. Passou a sua juventude no Porto, onde viveu desde que regressou de Sá da Bandeira. Em África, quando tinha 10 anos, ia para a praça esperar os jornais que vinham da metrópole. Gostava de os ler. Quando veio viver para a Rua do Almada, no Porto, a sua casa ficava a meio do Jornal de Notícias e do Comércio do Porto, pelo que esperava que saíssem, às duas da manhã, para os comprar e ler. Aos dezasseis anos iniciou a sua carreira de jornalista como colaborador n’ “O Comércio do Porto” na área do desporto. Em 1986 foi trabalhar para o jornal “Europeu”, de onde se transferiu pouco tempo depois para o semanário “O Liberal”. Júlio Magalhães foi também um dos fundadores da Rádio Nova. Em 1990 estreou-se na RTP1, onde foi jornalista e repórter, e apresentou o programa da manhã “Bom dia” e o “Jornal da Tarde”. Dez anos depois transferiu-se para a TVI, onde foi director de informação. Júlio Magalhães deixou a TVI rumo à cidade Invicta, a sua terra natal, em 2012, para dirigir o Porto Canal.

Na Faculdade, passou pelos cursos de História, Direito e Comunicação Social e mas nunca terminou nenhum porque quando estava a acabar o curso, mudava de jornal ou para a rádio ou para a televisão e ficava sem tempo.

Em 2003, editou o livro “T’Antas Glórias”, com os depoimentos de diversas personalidades públicas e ligadas ao futebol ao longo dos 51 anos de existência do Estádio das Antas. Em 2008 publicou “Os RETORNADOS – Um Amor Nunca se Esquece”, o primeiro livro que sai em Portugal sobre retornados e que, à semelhança dos que lhe seguiram (“Um Amor em Tempo de Guerra”, “Longe do Meu Coração”, “Não nos roubarão a esperança” e “Por ti, Resistirei”) tem um caráter jornalístico e contexto histórico.

Júlio Magalhães pronunciou-se igualmente acerca do estado atual do jornalismo em Portugal, das ameaças e interesses a que estão sujeitos, da sua relação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, e das enormes diferenças em gerir o orçamento da TVI e do Porto Canal. Falou-se de regionalização e da necessidade das regiões terem uma rádio, um jornal e uma televisão, para terem visibilidade. Realçou-se a diferença do Porto Canal como único canal de televisão generalista no Porto, e que conta com programas nas áreas de investigação científica, história, cinema, entrevista e entretenimento.

Júlio Magalhães considera que o futuro da televisão não passará pelos canais generalistas. Antevê um maior protagonismo para os canais de cabo e de conteúdos no futuro do pequeno ecrã, facto que se deve, sobretudo, ao público mais jovem, que ocupa mais tempo na Internet a ver conteúdos: «As novas gerações já não vêem novelas».

A próxima conversa está agendada para o dia 2 de Dezembro e o convidado é Alberto S. Santos.