À conversa com Alberto S. Santos

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No passado dia 2 de Dezembro, a Biblioteca Municipal de Caminha recebeu o escritor Alberto S. Santos, último convidado de “À conversa com…”, iniciativa levada a cabo pelo Município de Caminha no âmbito da candidatura da valorização dos Caminhos de Santiago.

Reconhecido pelos seus romances históricos, alicerçados no rigor informativo e na qualidade de escrita – A Escrava de Córdova (2008), A Profecia de Istambul (2010), O Segredo de Compostela (2013), Para lá de Bagdad (2016) – Alberto S. Santos contou, numa conversa que se prolongou por quase três horas, como foram surgindo os motes dos seus livros, que abordam temas diversos, alguns dos quais podem ser transportados para a realidade actual.

Falou-se tambén da tradição mítica e mágico-religiosa portuguesa presente nas histórias do seu último livro, “A Arte de Caçar Destinos” (2017), em que o romance foi trocado pelos contos, e do terceiro romance do autor, “O Segredo de Compostela”, que surgiu de uma inquietação do autor, adensa o mistério sobre quem está sepultado na Catedral de Santiago. A evocação de Prisciliano, personagem maior neste enigma secular, cristão livre e evangélico, bispo na província romana da Galécia romana do século IV e condenado como herege, cujo percurso de vida apresenta paralelismo com o de Santiago.

Empenhou-se Prisciliano em fazer reviver os ensinamentos do cristianismo primitivo, ascético, mágico e gnóstico, misturando-o com a religiosidade celta, devotada à natureza, e ensinamentos alexandrinos. A natureza representou sempre um papel fundamental na sua obra, tendo-se nela refugiado inúmeras vezes com os seus seguidores, utilizando grutas, florestas, ou montanhas como verdadeiros templos, descalços, para melhor se harmonizarem com as energias telúricas.  Mas não ficou por aí; Prisciliano, em sintonia com a essência da Obra de Jesus, considerava que todos os seres humanos eram iguais, incluindo mulheres e escravos, tendo sido pioneiro defensor da igualdade das mulheres e permitindo a sua intervenção nas cerimónias litúrgicas.

O Priscilianismo, que tentou contrariar o rumo da Instituição católica nascente, permaneceu vivo durante mais de dois séculos depois da sua morte, e continua a existir de forma mais implícita até aos nossos dias, na Galiza e norte de Portugal.

A sessão contou com presença da Dr.ª Liliana Ribeiro, da Câmara Municipal de Caminha, e a moderação do Dr. Nuno Vidal.


One Response

  1. Giovanni Dondi
    06/12/2017

    Obrigada pela partipaçao e pela reportagem ao longo das edições! Beijinhos, Carla Santos 🙂